domingo, 19 de agosto de 2012

O olho humano e a evolução

O olho humano sempre foi motivo de controvérsia entre os defensores do design inteligente, leia-se criacionistas, e os defensores da teoria da evolução. Mesmo Charles Darwin balançou em sua teoria ao se deparar com a complexidade do nosso olho.
Como tecidos moles dificilmente deixam registros fósseis, não havia evidências que mostrassem uma progressão evolucionária do olho, ao contrário da análise dos esqueletos onde esta evolução é facilmente observada. Estudos recentes denotam que longe de o olho humano ser resultado de um projeto perfeitamente elaborado, ele exibe falhas que são como cicatrizes da sua origem evolutiva. A seleção natural não trabalha com um projeto, ela usa o material disponível o que pode deixar algumas coisas estranhas pelo caminho. O olho humano contém inúmeros defeitos que atestam sua teoria evolutiva. Apesar de ser uma maravilha, existem imperfeições que degradam a formação da imagem, veja:

1 Uma retina invertida, que força a luz a atravessar corpos celulares e fibras nervosas antes de atingir os fotorreceptores.

2 Vasos sanguíneos que se espalham pela superfície interna da retina, provocando sombras indesejadas.

3 Fibras nervosas que se juntam em abertura única na retina e viram o nervo óptico, criando um ponto cego.


Ampliações do olho humano.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Temos mais Terras por aí?

Foi descoberto o menor planeta extra-solar até agora. Com cerca de 8.400 km de diâmetro o UCF-1.01 tem dois terços do tamanho da Terra e fica bem próximo de sua estrela, o que faz sua superfície passar de 600°C na superfície. Ele está a 2,7 milhões de quilômetros de sua estrela (a Terra está a 150 milhões de quilômetros do sol). Este planeta se localiza na órbita da estrela anã-vermelha Gliese 436, situada relativamente perto de nós, a 33 anos-luz de distância.

Além de UCF-1.01, foram percebidos indícios de um outro planeta, apelidado UCF-1.02 orbitando a mesma estrela.

Uma visão possível do planeta

A detecção de planetas próximos às suas estrelas é mais fácil do que planetas nas zonas habitáveis, por perturbarem a estrela de forma mais perceptível, que é o método usado hoje.
A descoberta de um planeta com tamanho parecido com o da Terra estava sendo bastante aguardada.
O sistema parece promissor para abrigar vida e quem sabe algum dia possamos ir até lá.
A tecnologia atual só nos permite sonhar com velocidades elevadas o suficiente para viabilizar esta viagem, porém em teoria existem possibilidades. A velocidade necessária teria de ser relativística, o que faria os viajantes envelhecerem menos do que os que ficarem na terra. Isso é meio desconcertante não?
Mas provavelmente seria uma viagem só de ida, com fins de colonização.
Os otimistas estão afirmando que devemos ter bilhões de planetas habitáveis na nossa galáxia, a Via Láctea.

domingo, 12 de agosto de 2012

Destino: Ilhabela


A segunda maior ilha marítima do Brasil, com uma altitude média de quase 800 m e picos de mais de 1300 m é um paraíso que precisa ser desvendado, pois suas belezas às vezes não estão tão evidentes.

Quando se percorre a estrada que corta a ilha de norte a sul parece que nem sempre ela passa na costa, mas na verdade está sempre pertinho dela.

Dica: onde houver carros parados deve ter uma bela prainha esperando para ser descoberta por você.

Já fiz seis vezes a viagem de Curitiba à Ilhabela, três delas de moto e sempre foi muito divertido. Ilhabela fica no litoral norte de São Paulo. O nome oficial é Ilha de São Sebastião, sendo o município de Ilhabela.

Outra dica: Partindo do sul, se for no domingo, vale a pena ir pela cidade de São Paulo, já durante a semana é melhor ir pelo litoral. Logo adiante de Registro entre a direita para Peruíbe, siga a 101, passando por São Vicente, Santos e Cubatão. A Rio Santos é uma estrada belíssima, com excelente vista de praias maravilhosas, quase todas no município de São Sebastião. Desta cidade saem os ferry-boat para Ilhabela.

Na ilha preferimos ficar na praia do Curral, nesta existe o caro DPNY, excelente hotel na beira mar, mas normalmente alugamos uma casa ou ficamos no camping na praia ao lado, a Praia Grande. Ficar na vila (como chamam a cidade de Ilhabela) tem seus benefícios. Restaurantes, café-livraria e pequenas lojas são ótimos programas para o happy hour no início da noite. A visão dos veleiros e iates só embeleza a orla da capital da vela.
Vários nativos têm cabelo e olhos claros, frutos segundo dizem da descendência da tripulação de navio pirata que naufragou no entorno da ilha.

Naufrágios existem muitos, diversão certa para mergulhadores equipados. O snorkeling pode ser praticado em qualquer praia, as minhas preferidas são: Curral, Jabaquara, ilha das Cabras e Portinho. Nestes locais se vê muita vida marinha, belos corais e uma vegetação submarina de tirar o fôlego. A presença de arraias e tartarugas é comum, eu mesmo já vi diversas tartarugas em diversos lugares.


Feiticeira
Jabaquara

Uma estrada atravessa a ilha em direção leste até a praia de Castelhanos, mas é só para 4x4 ou moto. Atravessa uma espécie de cordilheira e no seu ponto mais alto (720 m) sentimos até o clima mudar, dá uma esfriada lá no topo! Agências na vila fazem o trajeto em jipes em cerca de 1h30 ao custo de R$ 70,00 por pessoa.

Se você for de moto trail e quiser radicalizar pode ir até Bonete no extremo sul, fiz a trilha uma vez com
meu amigo Herbert e mais dois paulistas. A trilha apresenta alguns desafios, é fundamental ir pelo menos em 2 para passar as motos de uma em uma, empurrando em algumas partes. Bonete é muito bonita, mas não entre com a moto na areia da praia, se não quiser um ataque de cachorros. O Herbert perdeu a máquina fotográfica no caminho de volta e perdemos as fotos da aventura.
A má notícia é que em Ilhabela há muitos borrachudos e o uso de repelente é fundamental, principalmente no início ou fim do dia.
Gostamos tanto de lá que acho que em 2013 iremos novamente.

 
A praia de Castelhanos foi eleita como uma das 10 mais bonitas do Brasil.



Julião

Ilha das Cabras




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Informação, contra-informação e engodo

Possuir mais informações que os inimigos e se possível enganá-los são objetivos primordiais nos conflitos.
Na primeira guerra mundial já surgiam os falsos tanques como este abaixo:



Na segunda guerra mundial diversos países usaram engodos de todo tipo. A mais célebre foi a Operação Fortitude. Os aliados colocaram Patton, considerado pelos alemães como o melhor general inimigo, em uma cidade inglesa próxima ao passo de Calais para iludir que a invasão da Europa continental se daria por ali. Na ocasião do desembarque na Normandia, os aliados usaram tanques falsos, jipes e canhões infláveis, emitiram sinais de rádio e de simulação, através de alto-falantes de grande porte,  produzindo ruído como se fosse feito por movimentação de uma enorme divisão. Os espiões acreditando, passaram estas informações para a Alemanha afastando o foco do local onde realmente a invasão se daria.
Mesmo depois da invasão já consolidada na Normandia, Hitler continuou acreditando tratar-se de um movimento diversionário e manteve suas tropas no passo de Calais até que fosse tarde demais para reagir. O engodo deu certo.
Até antes disso aviões falsos foram espalhados em campos no interior da Inglaterra, levando os alemães a bombardear estes locais afastando-os dos verdadeiros campos de pouso.
Na guerra do deserto, na África, a tática também foi amplamente usada pelos ingleses que construíram uma cidade inteira falsa para confundir os bombardeiros alemães. Uma réplica noturna do porto de Tobruk, já que os ataques aconteciam principalmente à noite.

No teatro do pacífico, numa certa altura da guerra os norte-americanos não sabiam onde os japoneses iriam atacar. Tinham interceptado diversas comunicações de rádio denotando que um ataque era iminente e uma palavra código que dizia qual era o local aparecia sempre, mas os codinomes de lugares usados pelos nipônicos eram desconhecidos pelos norte-americanos, embora já tivessem decifrado a maneira dos japoneses codificarem as transmissões. Era fundamental que se soubesse onde iria acontecer o próximo ataque para armar uma emboscada, posicionando a frota de forma vantajosa. Surgiu a idéia de divulgar uma comunicação falsa de que o abastecimento de água estava crítico em Midway, um dos possíveis alvos, o que levou os japoneses a informar o fato ao seu comando por rádio, citando a mesma palavra código. Então ficou claro que o ataque se daria realmente em Midway. Com a frota americana posicionada os japoneses foram derrotados e o destino da guerra no pacífico mudou definitivamente.
 
Conta-se que um francês quando viu a cena abaixo comentou com um colega: “Eu jamais imaginei que os americanos fossem tão fortes!”




Parece que a técnica de atrair o fogo para o lugar errado continua em alta. Vejam só este tanque Russo e os demais equipamentos:









domingo, 5 de agosto de 2012

Sucesso com a MSL

O jipão pousou legal.
Temos mais um habitante em Marte!!!

Um terráqueo em Marte neste 6 de agosto de 2012

Amanhã teremos mais um terrestre em Marte ou uma nova pilha de lixo naquele planeta.
Conforme exibido aqui no post “Chegando a Marte ainda em 2012.
http://25graussul.blogspot.com.br/2012/06/chegando-marte-ainda-em-2012.html o jipe-robô Curiosity vai chegar nesta madrugada de 6 de agosto ao planeta Marte para explorar a cratera Gale a procura de sinais de vida ou condições para isso, no passado e no presente. Deverá pousar na superfície marciana às 02h31 desta segunda-feira,
Uma maneira de assistir a esse evento é no
canal da NASA ao vivo na web: http://www.nasa.gov/multimedia/nasatv/index.html
A sonda Mars Express da Agência Espacial Européia irá colaborar no posicionamento da nave espacial Mars Science Laboratory (MSL), que transporta a Curiosity, na entrada da atmosfera marciana.
Se você ainda não viu no outro post, veja agora o vídeo que mostra a simulação da missão desde a saída da atmosfera terrestre até o passeio por Marte e uma experiência que realizará em solo marciano. A maneira com que ocorrerá a descida é inédita e ousada:


Estamos torcendo para que estes dois e meio bilhões de dólares investidos não virem sucata.

sábado, 4 de agosto de 2012

Aquecimento Global e os Movimentos da Terra

Muito se tem falado sobre aquecimento global e a idéia é que estamos f... o planeta com nossas emissões de Dióxido de Carbono. Eu adoro andar de carro, viajar de carro e de avião e não tenho a menor intenção de parar de fazer isso por uma suspeita, aliás, sempre achei esta suspeita muito ... suspeita.
As glaciações ocorreram no passado sem que estivéssemos aqui para f... o planeta. Tivemos glaciações radicais e aquecimentos radicais. Existem evidencias de um congelamento global que ocorreu entre 700 e 800 milhões de anos e que tornou a Terra uma bola de gelo, até o equador congelou.
Sou de opinião que as variações do Sol e os movimentos da Terra teriam muito mais influência na temperatura do nosso planeta do que o nível de CO2 na atmosfera.
Na escola estudamos desde cedo que a Terra possui dois movimentos: rotação e translação, mas na verdade existem muitos outros com periodicidades maiores e que poderiam causar algumas mudanças radicais.
É claro que não sou contra a diminuir os poluentes da atmosfera, nem a aumentar a área verde. Estas ações seriam benéficas ao planeta e a nós todos. O que acho um exagero é alguém torcer o nariz por você se locomover sempre de carro.
Segue abaixo uma lista dos movimentos da Terra elaborada pelo professor de Astronomia Paulo Duarte da UFSC:

1.      Rotação: movimento em torno de seu próprio eixo. Oeste para Leste. Duração de 23 h   56 min   4 s. Variações: Desaceleração por causa das marés = 0,00164 s por século; Variações irregulares devido à ação das massas de ar, do núcleo e do manto = 0,60 s  a  0,37 s  por ano.  Consequências: Dias e noites, Pontos cardeais, Achatamento da Terra, Movimento aparente do céu, Direção dos ventos e das correntes marinhas.

2.      Revolução (comumente chamado de translação): Em torno do Sol = 365 dias 5 h 48 min 50 s. Eixo inclinado 23°27'. Periélio em 2 de janeiro = 147 milhões de km. Afélio em 5 de julho =  152 milhões de km. Consequências: Distribuição desigual de calor e luz nos hemisférios, Estações do ano, Movimento aparente do Sol entre os 2 trópicos, Diferente duração dos dias e noites, Deslocamento anual do Sol na linha do horizonte, Sol da Meia-Noite a partir de 66° de latitude.

3.      Precessão dos equinócios: giro retrógrado (Leste para Oeste) do eixo da Terra. Dura 25.750 anos  (1 grau em 71,5 anos ou 50 segundos em 1 ano). Conseqüências: A única coisa que muda é a visão do conjunto de estrelas do céu durante a noite em diferentes épocas do ano. Exemplo: atualmente Órion é uma constelação característica do céu do nosso verão, enquanto que Escorpião é característica do inverno. Mas daqui a 13 mil anos será o inverso. Variação da Ascensão Reta e da Declinação das estrelas.

4.      Nutação: parecido com a precessão dos equinócios, só que em escala bem menor, fazendo o eixo da Terra descrever uma pequena elipse em cerca de 18 anos e 7 meses.

5.      Deslocamento do Periélio: é o deslocamento do eixo que marca a posição de mínima distância entre a Terra e o Sol.

6.      Obliqüidade da eclíptica: variação do ângulo formado entre o Plano da órbita da Terra (Plano da Eclíptica) e o Plano do Equador. Esta variação vai de 22 graus até 24 graus e 30 minutos e leva mais ou menos 42 mil anos. Atualmente, a inclinação diminui 47" por século. Há 7.660 anos atrás a inclinação era de 24° 30'. Daqui a 11.490 anos a inclinação será de 22°. Esta variação é causada pela ação perturbadora do Sol e da Lua.

7.      Variação da Excentricidade da órbita: trata-se da variação da forma da órbita da Terra em volta do Sol, ora mais circular e ora mais elíptica. Duração = 92 mil anos. Variação do Afélio: 150 milhões km a 157 milhões km. Variação do Periélio: 143 milhões km a 149 milhões km. Há evidências de que a excentricidade está diminuindo. Pode ser o movimento responsável pelas grandes glaciações.

8.      Perturbações planetárias: movimentos irregulares e pouco previsíveis que podem ser provocados pela força gravitacional de outros planetas, principalmente Vênus e Júpiter.

9.      Movimento do Centro de Massa Terra-Lua: trata-se do giro que faz o centro de massa do sistema Terra-Lua em torno do Sol.

10.  Movimento em torno do Centro de Massa do sistema solar: movimento de revolução ou translação que a Terra faz em torno do centro de massa do sistema solar (centro de massa que existe entre o Sol e todos os seus planetas).

11.  Movimento de marés: trata-se da contração e descontração do globo terrestre em razão da força gravitacional da Lua e do Sol.

12.  Rotação junto com a galáxia: a Via-Láctea gira em torno de seu centro, fazendo uma volta completa em torno de 250 milhões de anos. Assim, o Sol e todos os planetas (inclusive a Terra) giram também em volta do centro da galáxia.

13.  Revolução junto com a galáxia: como todo o universo está em expansão, nossa galáxia também viaja no espaço. Assim, a Terra e todos os demais planetas, inclusive Lua e Sol, estão se deslocando junto com a Via-Láctea.

domingo, 29 de julho de 2012

Mais um mistério sobre o Universo

Imagine uma manhã no Rio de Janeiro, todo mundo saindo de casa e o Cristo redentor já não está mais lá.
Algo parecido aconteceu em um sistema estelar localizado a 456 anos-luz da Terra. Era uma espécie de Sistema Solar em formação com nuvens de gás e poeira em torno da estrela TYC 8241 26521 com forte emissão de infravermelho. Em apenas dois anos a emissão caiu cerca de 30 vezes. Isto deveria durar milhões de anos para acontecer e teria de ser de forma bem gradativa. Neste curto intervalo de tempo, poeira e gás em uma área equivalente ao nosso Sistema Solar, que eram abundantes no entorno desta estrela, simplesmente desapareceram. Algo muito estranho aconteceu. Pode ser um fenômeno desconhecido ou teremos de rever toda a teoria de formação de Sistemas Planetários.

 Criação artística do antes

 Criação artística do depois


O Satélite Astronômico de Infravermelho IRAS vem acompanhando o brilho desta estrela por 25 anos sem notar alterações. Porém a partir de 2010 o telescópio espacial de infravermelho WISE percebeu uma rápida alteração e o telescópio Gemini no Chile confirmou os resultados.


IRAS


A pesquisa publicada na revista Nature chocou a comunidade científica e mostrou mais uma vez aquilo que já afirmei por aqui. Realmente sabemos muito pouco sobre o Universo que nos cerca. Tentar desvendar este mistério será um trabalho interessante para a turma de astrônomos e pesquisadores desta área.

WISE
Gemini South no Chile

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O mito do moto-contínuo

O moto-contínuo ou moto-perpétuo seria uma máquina que geraria mais energia do que consome, funcionando para sempre de forma autônoma. Essa sobra de energia poderia ser usada para outras finalidades.
É relativamente comum se acreditar ter a receita para o moto-contínuo. Alguns já me contaram seu segredo e pediram sigilo absoluto. Não acredito que esteja traindo este pedido ao falar do assunto aqui, até porque esta quimera é uma das mais antigas da humanidade e foi sempre muito popular.
Como são já várias pessoas as quais tento convencer do absurdo sem sucesso, vou tentar com este post trazer um pouco mais de luz sobre o tema.
Desculpe meu amigo, mas não resisti.
O filme brasileiro Kenoma de 1996 retrata as frustradas tentativas de Jonas e Lineu na busca pelo tão almejado moto-perpétuo. Em um lugarejo do nordeste a luta pela conversão de um moinho em um moto-contínuo chega às raias da loucura.
Na idade média muita gente se dedicou a esta busca e Leonardo da Vinci já declarava sua impossibilidade.
Normalmente os projetos são de uma roda com pesos que se movimentam conforme a mesma vai girando, dando a falsa impressão que o movimento dos pesos acrescentaria uma força a mais que manteria o dispositivo rodando sem parar.
A falha na idéia está relacionada às leis da termodinâmica e de conservação de energia, nas quais a energia não pode ser criada, ela pode ser transformada, mas jamais criada a partir do nada.
A fusão e fissão nucleares convertem matéria em energia, respeitando a equação deduzida por Albert Einstein E=mc² (energia igual a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado). A matéria deixa de existir, é convertida em grandes quantidades de energia. O sol, os reatores nucleares e as bombas A e H geram energia descomunal desta forma. Já o moto-contínuo pressupõe a geração espontânea de energia, o que não é possível.
A obra de ficção de Isaac Asimov, Os Próprios Deuses, conta como Frederick Hallam encontrou um elemento químico impossível de existir no nosso universo, e dessa forma descobriu um universo paralelo. Essa descoberta permitiu a Hallam construir a “Bomba de Elétrons” que através da troca de matéria entre os dois universos gerava energia infinita para a Terra.
Voltando para a realidade, o que se propõe com a idéia da mítica máquina esbarra no fato de um dispositivo girante ter atrito e assim perder energia na forma de calor, mesmo que a energia mecânica não seja aproveitada.
Encontrei um sujeito que vende no Mercado Livre um dispositivo que economizaria combustível no carro da seguinte forma: a energia elétrica da bateria faz eletrólise separando o oxigênio do hidrogênio e este é injetado junto com a gasolina para a queima nos cilindros. Pois bem, a queima do hidrogênio gera água. Mas é a água que é novamente dividida pela energia da bateria, que é gerada pelo alternador, que por sua vez é girado pelo motor. Em suma um moto-contínuo físico-químico. Tentei sem sucesso argumentar com o vendedor, que segue vendendo o produto “milagroso”.
Já uma balela milionária é o Ron Scorpion, um carro superesportivo que faria o mesmo levando o carro a 300 km/h e fazendo 20 km/l. Essa é de matar, os espertos cobram 150 mil dólares para reservar o carro que ainda será fabricado. Só acredito vendo, mas duvido de qualquer sucesso. Aliás, tenho visto diversas vezes anúncios de lançamento futuro de carros que fariam mais de 25 km/l. E é sempre conversa fiada.
Tentar dissuadir as pessoas do intento de construir um moto-perpétuo, visando a que elas não desperdicem seu precioso tempo nesta idéia infrutífera pode ser questionável, uma vez que os inventores muitas vezes têm de fugir dos catedráticos e céticos para inovar, porém as leis da física não podem ser burladas.

 A máquina de Da Vinci

A do filme Kenoma 






sexta-feira, 20 de julho de 2012

Bagdad Café

Noite deliciosa é no Bagdad Café. Estivemos ontem novamente para nossa alegria!
Nas quintas rola a Noite Árabe, onde mais de 10 dançarinas se apresentam com a dança do ventre e outras danças típicas. Por isso só vamos nas quintas.
O ambiente é agradável, íntimo, quase familiar, mas rola a sedução das dançarinas que sustentam o olhar de maneira provocativa enquanto rebolam os quadris de forma enlouquecedora.
A música árabe é exótica e frenética. Em pouco tempo entramos no embalo e saímos dançando em fila indiana pelo meio das mesas, todo mundo de mãos dadas, como se fossemos velhos amigos.  A mulherada adora e o teor machístico acaba sendo relativamente baixo.
O dono, Adnan, nos recebe sempre com um sorriso no rosto e faz a festa, é um show man. Aniversariante é festejado e rola champagne de cortesia para todo mundo.
No Bagdad nos sentimos importantes, pois somos tratados como reis ... quer dizer ... como sultões em um harém.

Reserve mesa com bastante antecedência, chegue em torno de 21h00, vá num grupo misto com mulheres e homens e divirta-se como ninguém. Não é lugar para paquera ou azaração, é um lugar para curtir com os amigos. Pode levar criança sem problemas, desde que não sejam muito pequenas.
É uma experiência única e inesquecível numa casa pequena e aconchegante que vale a pena conhecer e revisitar sempre que bate a saudade.

O Bagdad Café mudou, fica agora na Rua Padre Anchieta, 262 - Mercês - Curitiba/PR - (41)3336-2421.







Adnan: Não me importo muito com o dinheiro, o negócio é se divertir.

Ciência?

Eu adoro sebos. Conheço quase todos em minha cidade e em algumas outras por aí a fora.
Hoje com a internet e a estante virtual, confesso que tenho um pouco de preguiça de ir para a rua a procura de um bom livro. Mas nada substitui o prazer de encontrar aquele livro que se está procurando há tempos, ou ainda a descoberta de algum livro que fale sobre um assunto que me interessa. De certa forma sinto saudades dos tempos pré internet, dos sábados de manhã em que fazia minha peregrinação pelos sebos e livrarias do centro de Curitiba, aproveitando para tomar um café e descontrair.
As grandes livrarias estão tomando conta do mercado literário das grandes cidades e tenho a impressão de que estão ficando todas com a mesma cara, com o acervo da moda, de certa forma, com o lixo literário de leitura fácil. Sei que os títulos em português são limitados, perto do mercado em inglês ou espanhol. Mas ler nestas línguas não proporciona o mesmo prazer, embora seja um exercício para o domínio das mesmas.
Os sebos, ao contrário, são como seleções do que há de melhor, pois os donos geralmente só compram o que realmente tem valor, e acabamos encontrando verdadeiras relíquias por preços bem moderados.
Acho divertido o fato de que existe na maioria dos sebos uma estante ou seção chamada de Ciência. Você vai encontrar de tudo lá, menos ciência. Na verdade encontram-se nestes locais as pseudociências: ufologia, cristais, Atlântida e todo tipo de baboseira, nada com comprovação científica, que possa seriamente ser chamado de ciência.
Engraçado? Nem tanto, isso mostra que existe um interesse grande por esse tipo de, vamos dizer, ... leitura.
Este tipo de material normalmente é de péssima qualidade. Tive a pachorra de ler algumas páginas de diversas publicações deste tipo, encontrei muitas afirmações e “verdades” que não possuem o menor fundamento, são colocadas sem cerimônia ao gosto do autor.
O brasileiro Lourivaldo Peres Baçan, por exemplo, publicou mais de 900 livros e livretos, muitos como escritor fantasma, usando pseudônimos, até com o gênero trocado. Escreveu sobre os mais variados assuntos: romances, erotismo, palavras cruzadas, charadas, passatempos, literatura infantil, passatempos infantis, horóscopos, esoterismo, simpatias populares, rezas, orações, intenções, anjos, fadas, gnomos, elementais, amuletos, talismãs, estresse, manuais práticos, religião e livros de bolso com os mais diversos temas, além de letras para músicas.
Sem querer retirar dele o mérito de tal feito, imagine o conteúdo de algumas destas publicações chamadas de ciência.
Distinguir ciência verdadeira de imitação barata pode dar um pouco de trabalho, mas a realidade é muito mais interessante que a ficção.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

As relações humanas

Nas relações humanas, aos poucos escolhemos aquelas que se tornam permanentes. Existe então um momento a partir do qual é como se um elo se formasse no mais profundo de nosso interior que é forjado na forma de inquebrantável laço. Porque nesse afeto que sentimos existe compaixão, sem a qual o afeto é como o aço não temperado, que não é forte nem duradouro.
Passamos então a gostar do que esta pessoa gosta e a compartilhar com ela tudo aquilo que apreciamos.
E nada abala esta relação, nem as decepções, nem as diferenças, nem os inconvenientes que possam advir desta convivência.
Amizades fortes, mesmo que tenhamos perdido o contato por décadas, se renovam de súbito com o reencontro, de forma tão intensa como no passado.
Estas relações é que dão sentido à vida.
Dinheiro, conforto e sucesso são coisas ótimas, mas basear nossa vida neste tipo de coisa é um equívoco que pode ser percebido apenas às portas da morte, tornando nossas vidas um desperdício.
O amor que compartilhamos com alguém a quem elegemos para nossa parceria tem estas nuances. Um histórico de alegrias e tristezas passa a solidificar a relação. Os nossos erros, fraquezas e imperfeições são diluídos na aceitação pelo outro e nos sentimos gratos por isso assim como sentimos compaixão na situação recíproca.
O resto pode ser importante, mas não é essencial.
O problema todo é que muitas vezes não percebemos isso a não ser quando realizamos todos os “sonhos” em uma busca desenfreada, esquecendo durante a jornada de dedicarmos tempo, amor e sorrisos aos que nos são caros.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O lado escuro da Lua e o balanceio

O lado oculto da Lua, também conhecido como o lado escuro da Lua, imortalizado pelo rock progressivo do Pink Floyd no delicioso álbum The Dark Side of the Moon (uma referência ao lado sombrio do homem), não é realmente escuro. Só de vez em quando.

Esta característica do nosso satélite natural não é uma coincidência cósmica, vamos falar de coincidências outra hora.
Mas afinal o que é esse lado oculto da Lua?
A resposta é que a Lua sempre mostra a mesma face para nós, então o outro lado, o que não vemos, é o lado oculto. Este é um fenômeno relativamente comum no Universo, deve-se às forças físicas envolvidas em um sistema unido gravitacionalmente e que possui marés. A Lua estabilizou-se assim, como diversos satélites naturais no sistema solar. Estes satélites apresentam sempre a mesma face voltada para os seus respectivos planetas, é a chamada órbita síncrona.
Até a missão soviética Luna 3 em 1959, desconhecíamos como era este outro lado. Devido ao pioneirismo os nomes russos ficaram comuns nas formações do lado escuro, como por exemplo, o Mare Moscoviense. Este lado se mostrou muito diferente do lado visível: as imagens mostraram um relevo totalmente diverso dos vastos mares do lado visível, o vulcanismo de basalto ficou restrito a poucos lugares e pequenas regiões no lado escuro da Lua, que tem a crosta dominada por regiões montanhosas. Um mundo totalmente diferente daquele que é visto da Terra.
Claro que a causa da assimetria entre o lado escuro e o lado visível é um interessante mistério científico.
Para os céticos de plantão que negam a ida do homem à Lua, o satélite LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) lançado em 2009 transmitiu imagens que mostram até os percursos das pegadas que o homem deixou por lá.




Lado oculto







A teoria de consenso entre a maioria dos pesquisadores é de que a Lua se formou a partir do impacto de um proto-planeta com a Terra e os fragmentos dessa pancada que entraram em órbita da Terra acabaram aglutinando-se e formando o nosso satélite. Acredita-se que nessa época a Terra girava 6 vezes mais rápido do que hoje, o que deixava o dia com apenas 4 horas. A Lua estava bem próxima da Terra e as marés eram gigantescas. O efeito das marés causa atrito das águas com o fundo do mar, este atrito gera calor. Então o efeito de causar calor, que acaba dissipado, freia o movimento de rotação da Terra. No início, este efeito era muito mais forte pela proximidade. Com o afastamento da Lua as marés diminuíram e o efeito também diminuiu, mas ainda assim o intervalo do dia terrestre está aumentando de aproximadamente 0,02 segundos por século.
Quando a Lua não era geologicamente morta, havia também marés por lá e estas marés acabaram freando a Lua até a rotação parar completamente (em relação à Terra). O afastamento da Lua se explica pela lei de conservação de energia, o momentum do sistema Terra-Lua tem de ser mantido.
O lado “escuro”, então, não é escuro de fato, ele só está oculto da nossa visão.
Na lua nova ele fica totalmente iluminado e somente na Lua cheia é que fica realmente escuro.

Ok, agora você poderia pensar que vemos aqui da Terra apenas 50% da superfície lunar. Mas na verdade vemos 59%, devido a um efeito chamado Libração. Este balanceio ocorre tanto em longitude como em latitude.
Existem três componentes na Libração lunar:
- A libração em longitude ocorre em função da excentricidade da órbita lunar, o que provoca flutuações de velocidade de translação e, por isso, podemos ver um pouco mais da superfície lunar a leste ou a oeste da posição intermediária.
- A libração em latitude ocorre em função do eixo de rotação da Lua não ser exatamente perpendicular ao eixo da órbita Terra-Lua, o que faz com que os dois polos se inclinem alternadamente para a Terra, possibilitando ver mais um pouco da superfície lunar em torno deles.
- A libração paraláctica se deve à mudança do ponto de observação ao longo do dia, em função do movimento de rotação da Terra (o deslocamento do nosso ponto de observação do nascer ao pôr do sol).
Estas 3 razões são responsáveis pela Libração Ótica.
Existe ainda uma Libração Física, muito pequena, resultante das oscilações da rotação da Lua (a Lua possui rotação considerando um referencial fora da Terra).


Simulação da Libração

Composição real da Libração