sexta-feira, 29 de junho de 2012

Matéria Escura

Simulações em supercomputador, composto por milhares de CPUs e que levam meses para serem concluídas, sugerem que o Universo como está não é possível. Galáxias não se formariam, nem estrelas, muito menos planetas e nós também não deveríamos estar aqui.

No entanto aqui estamos observando tudo isso.
Para conseguir simular o Universo da forma como ele é, foi necessário um subterfúgio. Foi adicionada em tudo uma massa 5 vezes maior do que a visível. E “voila” tudo se ajustou perfeitamente como deveria ser. As simulações funcionaram certinho.
Então, foi inferido que deve existir algo invisível e que possui massa, mas que não interage com a matéria visível, interage apenas pela gravidade, que é a força mais fraca. Este “algo” foi batizado de Matéria Escura. A teoria é de que existem estas partículas invisíveis permeando todo o Universo. Incrível não? Na verdade é um xunxo tremendo para tapar o buraco do nosso desconhecimento sobre a questão.
Uma tentativa de detectar estas partículas foi feita em uma mina desativada a 800 metros de profundidade. Lá placas de germânio conservadas a temperaturas baixíssimas ficaram por um ano para detectar as partículas de matéria escura. A idéia era de diminuir a vibração natural do germânio, causada pelo calor, de forma que a estrutura cristalina ficasse praticamente sem vibração e a hora que alguma partícula batesse no germânio causaria uma vibração que seria detectável. Algumas poucas partículas foram detectadas. Mas se a teoria diz que trilhões destas partículas passam pelo nosso corpo sem interagir, por que apenas algumas apareceram? Justamente por elas não interagirem com a matéria. Mas se elas não interagem, como foi possível a detecção? Aparentemente a idéia do experimento é de que algumas poucas partículas interagiriam.
Pelo jeito deu certo, mas está tudo meio nebuloso!
Muita água ainda deve rolar até que este mistério seja solucionado, se é que vai ser algum dia!


domingo, 24 de junho de 2012

Nordeste:

Para quem mora no sul ou sudeste, o nordeste é uma espécie de Meca dos estressados. É muito comum o sonho de largar tudo e montar uma pousada no nordeste. Costumamos generalizar o nordeste como sendo uma coisa só, mais ou menos como a tendência de generalizar sobre os orientais, chamando a todos de japoneses. Tanto num caso como no outro é um absurdo e reflete nosso desconhecimento e “pré-conceito”. Mas existem semelhanças que não podem ser ignoradas.
Após algumas viagens ao nordeste, segue o resumo das decepções e das boas surpresas.
Como gosto muito de mergulho e não encontrei lugares interessantes para esta prática, ficou a decepção. Os famosos Parrachos de Maracajaú - RN e Maragogi - AL são bonitos de longe, mas ao mergulhar são entediantes, não tem nada lá. Fica muito atrás da região de Búzios - Arraial do Cabo ou Ilhabela. Outra decepção é a água turva. Não é em qualquer lugar que se encontra água com visibilidade além de 4 ou 5 metros. E quando se encontra, não há a diversidade de vida ou corais coloridos, geralmente são escuros e monótonos. Diversos lugares que visitamos possuem uma falsa água clara, ou seja, parece clara à distância, tem cor de água clara, mas a visibilidade para mergulho deixa a desejar.
Por outro lado a temperatura da água é perfeita, as praias são gostosas e não queremos mais sair. A praia da Pipa - RN, Porto de Galinhas - PE e Taipús de Fora - BA são especialmente deliciosas.
Fique longe da praia do Francês próximo de Maceió. Som alto de péssimo gosto, vendedores de comida e de todo tipo de bagulho que você fica o tempo todo dizendo Não obrigado! Não obrigado! Um inferno, você fica querendo matar o guia que teve a idéia imbecil de te levar num lugar desses.

Praia da Pipa - RN

Taipus de Fora - BA

Morro de São Paulo - BA

O preparo para receber turistas é muito superior ao encontrado no resto do Brasil, consegue-se muito mais, pagando muito menos, mesmo considerando aéreo junto. Fiquei muito impressionado com a qualidade das pousadas em Canoa Quebrada - CE e o lugar nem merece tanto.
Outro destaque no Nordeste é a culinária com excelentes restaurantes. Vamos aos prediletos:
L’ô em Fortaleza, Domingos em Porto de Galinhas, Bistrô Boulange em João Pessoa, Barraca de praia (fechada com vidros) na Pajuçara em Maceió, Farofa d’água em Natal etc. Comer lagosta e camarões gigantescos não te deixa com um furo no bolso, logo é impossível não aproveitar e voltar com uns quilos a mais. E estamos falando de cozinha internacional, francesa ou contemporânea, nada destes bichos na casca, o que para mim é uma heresia culinária.

 Lô em Fortaleza

 Domingos em Porto de Galinhas

 Bistrô Boulange em João Pessoa

Lagosta e risoto do Lô

Apesar de as praias extensas serem típicas, o relevo é bem menos monótono do que eu imaginava e isso foi uma boa surpresa. Em Natal em particular existem muitos lugares encantadores, dunas e diversões de todo tipo, buggy, esquibunda, aerobunda etc.
Sem esquecer da vida noturna que tem lá os seus agitos, por cada capital que passamos. Outro ponto digno de nota é o povo, hospitaleiro e acolhedor.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ivy e o fim da humanidade

Lá pelo fim dos anos 80 e início dos 90, quando eu estava terminando meu curso de engenharia eletrônica, estudamos os processadores, cujo representante mais poderoso era o 486. Um processador de computador inicialmente era construído com válvulas e posteriormente com o advento do transistor, surgiu a idéia de colocar vários transistores em uma mesma pastilha de Silício (hoje chamada de Die). Um transistor, em informática funciona como uma chave, que diz se é sim ou não, ou ainda se é zero ou um. Esta informação simplória é a base da álgebra booleana que foi e é o pilar da computação. Pois bem, o 486 era um processador da Intel que tinha 1,2 milhão de transistores em 1,2 cm² de Silício. Poderosíssimo para a época, já fazia maravilhas e eu me perguntava quando chegaríamos a um bilhão de transistores por Die. A Lei de Moore (Gordon Moore era presidente da Intel em 1965 quando a “promulgou”) deixava claro que um dia isso iria acontecer. A lei de Moore profetizou que o número de transistores em uma pastilha de Silício (integração) dobraria a cada 2 anos. De todas as profecias que esse mundo já viu, esta foi uma que realmente funcionou ao pé da letra.

O computador que tenho em casa, comprado há uns dois anos, é um I-5, o mesmo possui um processador com mais de 700 milhões de transistores. Este processador de 4 núcleos é da primeira geração, em seguida saiu o de 2ª geração (Sandy Bridge) que chegou a 995 milhões de transistores (por pouco!) e agora com a 3ª geração finalmente rompemos a barreira de um bilhão com o Ivy Bridge, que já pulou para 1,4 bilhão de transistores em uma pastilha de 1,6 cm². Essa escala de integração é de quase 1 bilhão de transistores por cm² e só foi alcançada com o uso de litografia em 22 nanômetros.



Ivy Bridge

Esta evolução nos processadores me lembra da velha questão: As máquinas substituirão o homem algum dia? Sem dúvida nenhuma! De certa forma isso já acontece. Eu trabalho com máquinas que diminuem em muito a participação do ser humano no trabalho. E a cada inovação elas precisam de menor quantidade de pessoas. Passamos a fazer atividades mais nobres, como projetar, construir, manter e operar estas máquinas que executam efetivamente o trabalho. Mas chegará o dia em que outras máquinas também farão isso? Tudo aponta para uma resposta positiva. Aparentemente estamos criando o monstro que irá nos devorar. Parece-me (e eu estou longe de estar sozinho nesta idéia) que a única maneira de perseverar a longo prazo é nos mesclarmos com as máquinas.
Esta idéia, que a princípio pode parecer repugnante e bizarra, tem as suas virtudes.
A miniaturização dos dispositivos já permite fazer alguma coisa, como uma visão rudimentar para os cegos, exoesqueletos simplórios, peças mecânicas substituindo ossos através de implantes etc. Extrapolando esta idéia, o céu é o limite!
Imagine ter um banco de dados inesgotável em sua cabeça. Acesso imediato a qualquer informação on line, sem uso de qualquer dispositivo externo. Algoritmos para processar uma imensidão de dados da forma que quisermos. Comunicação sem celular (quase telepática). Realidade aumentada, que é um conceito em que informações são disponibilizadas conforme você se move e conforme suas preferências: promoções em lojas ou restaurantes pelos quais você passa; informações sobre conhecidos que estão nas proximidades ou pessoas com os mesmos gostos pessoais e até pessoas disponíveis para relacionamento ou para uma rapidinha, tudo isso aparecendo sobreposto ao cenário, como uma tela translúcida.
Isso é uma visão bem limitada do que virá e mesmo assim é uma vantagem competitiva da qual ninguém iria querer ficar de fora.
E se esse tipo de coisa se tornar indesejável basta desligar tudo com um comando mental. Seremos ainda senhores da situação, obviamente.


No futuro, provavelmente seremos muito máquinas, mas ainda muito humanos. Desejaremos com certeza preservar a condição humana, porém seremos muito mais eficientes. E não pense que estes implantes serão muito invasivos, eles o serão tanto quanto o desejarmos ou permitirmos que o sejam. Provavelmente nos sentiremos tão confortáveis com eles, como nos sentimos com um automóvel, um smartphone ou um tablet.
As decisões serão muito mais coerentes e teremos muito poder.
Em um futuro muito distante é difícil prever a que ponto chegaria essa integração.
Não iremos lamentar este tipo de coisa, desejaremos avidamente!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Energia para o espaço

Como sou engenheiro eletrônico, me interesso por este assunto e compartilho aqui com vocês, conforme prometido no post Chegando a Marte ainda em 2012.

A exploração espacial requer um sistema confiável de fornecimento de energia, os painéis solares são muito bons para isso, pois a insolação é muito forte no espaço e é o sistema preferido para uso em satélites e nas órbitas mais próximas ao sol. Porém em posições de sombra ou em distâncias maiores do sol, como próximo aos gigantes de gás e além, a luz solar não está presente ou é muito fraca pra ser utilizada. Assim a NASA desenvolveu no passado um dispositivo chamado RTG (Radioisotope Thermoelectric Generator). A mesma vem utilizando este dispositivo desde o princípio da exploração do espaço. Usou-o nas missões Apolo, nas missões Vikings a Marte, nas Pioneers, Voyagers, Ulisses, Galileo, Cassini e na New Horizons da qual já falei aqui. O RTG da Pioneer 10 operou sem falhas pelo menos por 3 décadas, sabemos disso até 2003 quando o sinal da sonda ficou muito fraco para ser detectado aqui da terra. As Voyagers 1 e 2 vêm transmitindo desde 1977, agora chegando ao espaço interestelar com seus RTGs intactos. Nas últimas 4 décadas os USA lançaram 25 missões que utilizaram 45 RTGs. Nenhum deles teve qualquer problema.
Agora está sendo desenvolvido o MMRTG (o MM é de Multi-Mission) ele é mais versátil, pois é constituído de módulos de 100 W (Watt), então é só ir compondo até a potência que se queira obter.
Como o conteúdo do gerador é radioativo, em caso de falha é previsto para o mesmo se destruir na atmosfera durante a reentrada.
Os RTGs funcionam convertendo calor do decaimento natural de material radioativo em eletricidade.
Este tipo de material produz partículas que são expulsas dos núcleos dos átomos a grandes velocidades e ao se chocarem com o material em volta produzem calor pelo atrito. É por isto que o núcleo do nosso planeta é quente.
Nos RTGs é usado o plutônio-238, um radioisótopo artificial com uma meia vida de 88 anos e que não libera radiações mais penetrantes como Beta e Gama que são as mais perigosas. Cada kg de plutônio-238 gera 567 W de potência.
A geração de energia a partir do calor não é um conceito novo, foi descoberto há quase 200 anos por Thomas Seebeck. Funciona quando uma junção de dois metais diferentes é aquecida e o outro lado dos metais está frio. Em instrumentação são os termopares. A eficiência é baixa, mas, por não usar partes móveis, é muito confiável em longo prazo.
Os RTGs usam o calor gerado pelo plutônio e o frio do espaço para este fim.
A MMRTG usa na verdade dióxido de plutônio (4,8 kg) que gera 2000 W de calor e 120 W de potência para energia elétrica (consumo aproximado de uma TV de LED de 42”). Possui 64 cm de diâmetro e 66 cm de altura e sua massa é de 45 kg.
Os USA que primeiro sintetizaram o plutônio-238 agora tem de importar da Rússia, pois não possuem mais produção. Mas isso deve mudar em breve.


Fonte de energia do Jipe Curiosity



A Casssini usa 3 destas


 RTG usada nas missões Apolo na Lua


 RTG usada nas missões Vikings


RTG das misões Voyager 1 e 2

sábado, 2 de junho de 2012

Chegando a Marte ainda em 2012

A administração norte-americana se viu forçada pelo Congresso a diminuir as verbas para a exploração espacial. Esta novela é antiga. Aparentemente a guerra do Vietnã e recentemente as do Iraque e Afeganistão drenaram recursos que fizeram e fazem falta aos projetos da NASA. A crise econômica agravou mais ainda este quadro. O retorno do homem à Lua e a viagem tripulada à Marte estão indefinidamente congeladas. Outros projetos mais baratos continuaram e temos agora o do robô MSL (Mars Science Laboratory) apelidado de Curiosity que custou a bagatela de US$ 2,5 bilhões e que irá investigar se Marte tem ou já teve vida ou ainda condições para que ela ocorresse.

Ele é do tamanho de um carro e cinco vezes mais pesado que seus antecessores, Spirit e Opportunity, é maior até que o jipe lunar que carregava dois astronautas e que foi usado no projeto Apolo.
A missão tem alguns diferenciais em relação à missão dos dois jipinhos que já estão por lá. Enquanto estes dois são alimentados por energia solar, o Curiosity possui um gerador próprio. Isto permitirá que o mesmo não seja afetado pelo acúmulo de poeira nos painéis solares, bem como pelo inverno marciano.
A descida não será por para quedas e airbag e sim por um sistema de para quedas e próximo ao solo por um sistema de cabos tipo guindaste, que vai baixar o jipe enquanto o conjunto é sustentado por foguetes. Esta solução foi adotada devido ao peso maior do Curiosity e é inédita.
A nave que transporta o Jipe é composta por:
Jipe Curiosity                                                      899 kg
ELD (entrada, descida e pouso)                      2.401 kg e 4,5 m de diâmetro
Nave de cruzeiro e Combustível (manobras)     539 kg

Este conjunto partiu da terra em nov/2011 e chega à Marte em ago/2012.
A nave viaja a 4,6 km/s em relação à terra e a 30 km/s em relação ao sol. Esta diferença se explica pelo fato de a terra viajar em sua órbita a 30 km/s.
O atrito da entrada na atmosfera marciana reduzirá a velocidade de 6 km/s em relação a Marte para mach 2 (0,7 km/s). O pára-quedas poderá ser aberto nesta velocidade devido à atmosfera daquele planeta ser bem rarefeita.
Vamos esperar os resultados da missão.
Em breve posto aqui como é feita a geração de energia da MSL.







A nave


 Local do pouso

 Posição em 31/05/12


Descida por cabos




quinta-feira, 24 de maio de 2012

Dois mistérios sensacionais da física moderna:

Até meados da década de 1990 tínhamos uma dúvida básica sobre o universo. A questão era se o mesmo teria suficiente massa para frear o movimento de expansão e contraí-lo até um novo ovo cósmico ou se a massa seria insuficiente e a expansão aconteceria para sempre.

A primeira opção provavelmente iria gerar um novo big bang e assim pulsando, o universo se renovaria a cada período da ordem de dezenas ou centenas de bilhões de anos.
Esta questão acabou após dois estudos de 1998 baseados em supernovas que constataram que a expansão do universo é acelerada, ou seja, em vez de a atração gravitacional entre as galáxias estar freando a expansão, esta, na verdade, está acelerando. A velocidade de afastamento cresce com o tempo! (rendeu o premio Nobel para os 3 responsáveis pela descoberta).
Que força é esta que acelera as galáxias se não existe nada lá para causar isso?
O mais incrível é que vemos galáxias se atraindo normalmente, aqui mesmo no grupo local, do qual faz parte a nossa Via Láctea. Parece que numa escala extremamente macro, as leis da gravidade não se aplicam, ou existe algo que nem temos conhecimento e que causa esta aceleração. Os cientistas chamam este “algo” de energia escura, pois não querem considerar que a gravidade não se comporte sempre da mesma forma. Eu tenho cá minhas dúvidas a esse respeito, mas sou apenas um engenheiro. Penso que uma reversão da gravidade pudesse explicar isso, mas isso seria tão fantástico quanto a própria existência da expansão acelerada.
Outra grande questão é na escala oposta, no mundo extremamente micro da física quântica, mas que pode ter um impacto na escala macro. Após a teoria da relatividade, ficou patente que nada pode se deslocar mais rápido que a luz, nem fisicamente nem informação.
Os cientistas então utilizaram luz para provocar um entrelaçamento entre dois átomos - um fenômeno pelo qual dois átomos, depois que se chocam, passam a compartilhar as mesmas propriedades quânticas. E quando a propriedade de um átomo é alterada, o outro reage instantaneamente e tem seu estado quântico alterado também. Detalhe que, em teoria, um deles poderia estar do outro lado da galáxia e a alteração seria instantânea! Na China já se conseguiu fazer isso a até 97 km, o recorde anterior era de 16 km. Os cientistas chineses planejam fazer isso agora no espaço com o uso de satélites, atingindo assim distâncias bem maiores.
O interessante do conhecimento é que quando parece que tudo está sendo equacionado, surgem surpresas como estas que mostram que na verdade não sabemos nada. Quanto mais estudamos, mais temos noção da nossa própria ignorância. Mas o legal é isso, aparentemente a pesquisa será sempre fascinante e os resultados inesperados. Isso torna a vida muito mais divertida, não concorda?

domingo, 20 de maio de 2012

Arthur C. Clarke:


Ficção científica normalmente tende para o fantástico ou a falta de conexão com a realidade. Quem não se lembra do som de tiros de laser no vácuo em Guerra nas estrelas ou do teletransporte em Jornada nas estrelas. Supondo que fosse possível o teletransporte, quem ia encarar, sabendo que será exterminado para a geração de uma cópia? É lógico pensar que uma vez transformado em sinal eletromagnético ou o que quer que seja, o que nasceria na outra ponta não seria nada mais que uma cópia e não a pessoa de fato. Pense que com esta tecnologia seria possível gerar vários a partir do original em diferentes lugares, logo é de se deduzir que seriam cópias
Bom, Arthur Clark não compartilhava destas fantasias, ele escrevia respeitando as leis da física e a realidade. De toda a sua obra, três livros primam pela excelência: O fim da infância, 2001: uma odisséia no espaço e Encontro com Rama. Estes dois últimos geraram uma série de 4 livros cada.

O fim da infância é desalentador. Apesar de muito bom, não recomendo para quem está começando em ficção científica. Este livro nos deixa com uma sensação de perda, sensação que só se compara a Tau zero de Paul Anderson.

2001 é um livro que nasceu a partir do roteiro do filme (normalmente é o contrário) e na sequência foram escritos 2010, 2061 e 3001, estes dois últimos tive de importar, pois não havia, na época, edição em português. Hoje já existe. O filme 2001 é diferente do livro em alguns aspectos, no filme a viagem é para Júpiter e no livro é para a lua Japetus de Saturno. Este livro prende a atenção já no primeiro parágrafo, é muito interessante e possui um ótimo argumento. O conto O sentinela do autor é que deu a idéia para o livro/filme.

A série toda é muito boa, mas o primeiro é imperdível, esqueça o filme, o livro está muito acima. A genialidade do escritor se traduz, por exemplo, em um dos maiores saltos de tempo da ficção, de nosso passado ancestral para o futuro repleto de tecnologia.

Encontro com Rama também possui um argumento genial. Na época também tive de importar os dois últimos e ler em Inglês, o que não é a mesma coisa. Hoje já são encontrados em português.

Na sequência do primeiro temos: O enigma de Rama, O Jardim de Rama e A revelação de Rama. Estes três últimos com a contribuição de Gentry Lee.

Os livros de Arthur Clarke são densos e cheios de informações corretas a respeito de física e da realidade. A leitura de suas obras desperta a curiosidade e ensina sobre coisas as quais não aprendemos na escola, mas que enriquecem o nosso conhecimento e nos deixam maravilhados com o Universo.

Ele foi mais que um escritor de ficção científica. Foi o primeiro a sugerir um satélite em órbita geoestacionária e propôs a construção do elevador espacial, que hoje com a evolução dos materiais baseados em carbono, sua possibilidade está sendo considerada seriamente pela comunidade científica. Esta idéia foi explorada em seu livro As fontes do paraíso.

Ainda existem muitos títulos deste autor sem tradução para a nossa língua, o que é lamentável.

Cansado de ser sondado pelos repórteres se ele seria o melhor escritor de ficção científica do mundo, melhor que Isaac Asimov (Asimov também tinha de conviver com esta recorrente pergunta), combinou com ele que cada vez que um deles fosse questionado a esse respeito, afirmaria que o outro seria melhor.

Além de tudo era um cara divertido, adorava mergulhar e para isso foi morar no Sri Lanka (Ceilão) já em 1956.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O sobrevivente do pacífico:

Há muito tempo, quando comprei esse livro em um sebo, achei que tratava da história de um náufrago, porém o sobrevivente no caso é um porta-aviões. E diga-se de passagem, foi o único porta-aviões americano que sobreviveu a toda a segunda guerra mundial. O livro conta a história do Porta-aviões Enterprise no teatro de operações do Oceano Pacífico durante a guerra.

Com este tema pode parecer que a narrativa é um tédio, mas pelo contrário, é muito interessante, cheia de ação e tensão. O desenrolar da saga prende atenção a ponto de não se querer parar de ler. Bom, pelo menos para quem gosta do tema como eu!
Não desanime pela capa, concordo que é bem fraquinha, mas a edição é antiga, de uma época em que não havia muita sofisticação e o desenho ficou bem artificial.
O conteúdo, porém, é rico baseado em farta documentação, relatórios e entrevistas com inúmeros soldados, tanto americanos, quanto japonêses.
A odisséia do Enterprise começa em Pearl Harbor no Havaí e termina em Okinawa no Japão, mas o percurso é muito tortuoso, repleto de dramas, emoção e muita informação.
O autor Georges Blond foi um francês meio maldito no seu país por suas tendências nazi-fascista equivocadas, no entanto deixou muito material publicado, grande parte de excelente qualidade.


 
O Enterprise só não participou de duas das 20 batalhas principais do Teatro de Guerra do Pacífico. Seus aviões e baterias antiaéreas derrubaram mais de 900 aviões inimigos e seus bombardeiros afundaram mais de 70 navios e danificaram ou destruíram outros 190. Era temido pelo inimigo pois seu histórico era de extrema eficiência.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Socotra:

Imagine você acordando em um lugar com uma língua própria e com uma paisagem bizarra como essa.





Este patrimônio natural da humanidade é encontrado no arquipélago de Socotra no oceano Índico, na entrada do Mar Vermelho. É administrado pelo Iêmen e é formado por uma ilha maior (3625km²), 3 ilhas bem menores e algumas pequenas ilhotas. A flora possui cerca de 240 plantas endêmicas de um total de 800. O regime de chuvas é fraco, os ventos intensos e o calor elevado. As plantas se desenvolveram nesta condição e como não existem em nenhum outro lugar, a possibilidade de extinção é grande.





Portugal chegou a construir um forte em uma das ilhas no início do século XVI, mas este se mostrou de pouca utilidade e foi abandonado logo a seguir.

A passagem para o Iêmen com partida em Guarulhos custa a partir de R$ 3.125,00 via Istambul (1 escala) e os pacotes para a visitação ao arquipélago custam apartir de US$ 335,00 por pessoa, chegando a reduzir para US$ 170,00 por pessoa, se for um grupo de 4 pessoas. São pacotes de 4 dias com direito a transfer, estadia em hotel 3 estrelas, comida, bebida, transporte para Socotra e licença que é necessária para a visita ao arquipélago.

domingo, 13 de maio de 2012

Impulso gravitacional:

A sonda New Horizons lançada em janeiro de 2006 está a caminho do sistema Plutão e Caronte para estudar estes dois corpos celestes. Será a primeira vez que um objeto feito pelo homem viaja a este planeta, planetóide, TNO ou como o queira chamar.

Em viagens interplanetárias é sempre interessante usar algum planeta no caminho como auxílio gravitacional para incrementar a velocidade e diminuir o volume de propelente e temos ainda de considerar que a atração gravitacional do sol vai freando a sonda ao longo de todo o caminho.
Nada melhor do que Júpiter para esta estilingada, pois é de longe o maior planeta do sistema solar. Este encontro com o gigante gasoso ocorreu em fevereiro de 2007 e aumentou a velocidade da sonda em 4 Km/s em relação ao sol.

Mas como funciona este impulso gravitacional?
Procurando na internet encontrei um monte de bobagens explicando de forma equivocada ou incompleta como isso ocorre, então resolvi postar aqui como funciona.
Em primeiro lugar temos de considerar a lei de conservação de energia, então para que se consiga o aumento de velocidade, alguém tem de pagar o pato! Este alguém é o planeta que será usado. É possível fazer diversas manobras na aproximação de um planeta, conforme o efeito que se deseja obter. Pode-se diminuir ou aumentar a velocidade e ainda mudar a direção radicalmente, inclusive jogando o objeto para fora da eclíptica (caso da Ulisses, sonda enviada em uma órbita fantástica para estudo dos polos solares com o auxílio de Júpiter). Para cada efeito desejado a aproximação deve ser feita de determinada maneira. Se quisermos diminuir a velocidade deve-se passar em frente ao planeta, se queremos aumentar a velocidade, deve-se passar atrás do mesmo. Quando se passa atrás do planeta o mesmo é atraído para a sonda da mesma forma que a sonda é atraída para ele, como o planeta tem uma massa extremamente grande, sua perda de velocidade é insignificante, já o incremento de velocidade da sonda é significativo. Parte do momentum do planeta é transferido para a sonda. Júpiter tem uma velocidade de aproximadamente 13 km/s e quando a sonda passa atrás dele é “arrastada” pelo planeta, incrementando sua velocidade, ou seja, a sonda “cai” sobre o planeta, mas como este está em movimento ele foge e a sonda acaba passando sem cair de fato, mas com a atração aumenta sua velocidade.

A New Horizons deverá chegar a Plutão em Julho de 2015 e sem a ajuda de Júpiter demoraria de 2 a 4 anos a mais. Logo após passar por Júpiter a sonda estava a 27 km/s e freada pelo sol deverá chegar a plutão a 14 km/s, velocidade ainda muito alta para entrar em órbita.
Após estudar Plutão e Caronte em uma única passada, a New Horizons seguirá em direção ao Cinturão de Kuiper onde deverá pesquisar alguns objetos deste cinturão. Esta parte da missão pode durar até uma década.
Veja no gráfico abaixo os benefícios conseguidos pela Voyager 2 em incrementos de velocidade adquiridos dos diversos planetas do sistema solar ao longo de sua viagem. Pode-se ver pelo gráfico que a Voyager 2 não conseguiria sair do sistema solar sem o uso de impulso gravitacional.

File:Voyager 2 velocity vs distance from sun.svg

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Led Zeppelin:

Qual o segredo destes dinossauros do rock e qual a razão de gostarmos tanto da música deles?

Afinal as letras, salvo algumas exceções, não primam pela poesia, nem são tão originais assim (algumas são regravações de blues pré-históricos).
Fazendo um paralelo com a atração amorosa ou sexual, poderíamos dizer que é aquela química de que se fala tanto, mas isso seria uma simplificação, na verdade uma falta de explicação.
Tentando dissecar esta questão, posso dizer que um diferencial é a base. Esta é firme, decidida e imponente. O conjunto baixo / bateria se faz presente como em nenhuma outra banda, são destacadíssimos e isso remete ao nosso instinto primitivo, nos faz bater o pé na cadência da música e envolve nosso corpo todo nesse ritmo. Se isso já embriaga a alma, quando a guitarra se faz presente ela pode viajar em solos deliciosos, pois a base está lá segurando as pontas, enquanto Jimmy Page pode passear pelos acordes que lhe der na telha e criatividade nunca faltou ao rapaz. Coroando tudo, a voz potente de Robert Plant casa perfeitamente, fechando a conta.

Mas tem mais. O diferencial deste grupo está também na riqueza de ritmos que eles conseguem fazer. Certos grupos renomados fazem músicas, que acabam todas, ou quase todas, ficando mais ou menos com a mesma cara, como por exemplo, o U2 (posso ser apedrejado por isso! rs rs).

Além dessa diversidade de ritmos entre músicas, constantemente se ouve isso dentro de uma mesma música, o que me parece ser único deles. O resultado é incomparável.

Claro que nem tudo desse grupo é bom, eu não gosto do álbum Coda, por exemplo, mas os demais considero excelentes.
As décadas de 60 e 70 foram únicas na música. Acho pouco provável de termos em qualquer tempo futuro um período tão rico como este. Eles gravaram seus álbuns nesta época e influenciaram muita gente nesse período efervescente. Mesmo os grupos covers deles são bastante interessantes, como o Dread Zeppelin, mas o meu preferido, apresentado pelo meu grande amigo Fernando é formado só por mulheres, o Zepparella:



http://www.youtube.com/watch?v=xH-_9cwdLug


domingo, 29 de abril de 2012

O volante nos transforma.

Outro dia presenciei una cena que me fez refletir sobre nossas atitudes.
Um motociclista parou entre os carros, um pouco à frente, quando fechou o sinal. Ao abrir, o motociclista acelerou e o motor da moto engasgou e morreu. O motorista que estava no carro ao lado avançou esbarrando na perna do motociclista. Este olhou assustado e pediu paciência. Então o casal que estava dentro do carro desfiou uma sequência de ofensas e grosserias, que obviamente encontraram eco na contraparte.

Quando você vê de fora este tipo de situação, não diretamente envolvido, se percebe o absurdo da falta de educação. Qual a razão de nos sentirmos ofendidos por uma manobra alheia que nos atrasa ligeiramente? O que nos dá o direito de mandar um monte de impropérios em cima de outro cidadão?
Aparentemente no comando de um veículo, voltamos a nos sentir bárbaros e tudo parece uma ameaça, a coisa toda vira uma guerra! A carroceria do carro funciona como uma blindagem e nos sentimos no direito de impor nossa supremacia, seguros de não sofrer represálias.

O que houve com a gentileza, a cortesia e a boa educação?
Aparentemente quando entramos em algum veículo este tipo de coisa é deixada do lado de fora.

sábado, 28 de abril de 2012

Você já foi à Bahia (de carro)?

Era uma vez um rapaz que conheceu 5 meninas na Ilha do Mel... Elas, estudantes de medicina, estavam viajando pela costa brasileira, enquanto a universidade delas estava em greve. Como elas vieram do nordeste para o sul, perguntei qual o lugar mais bonito que elas conheceram. A resposta foi unânime: Morro de São Paulo na ilha de Tinharé - BA.
Passados mais de 20 anos finalmente o rapaz, agora não tão rapaz assim, resolveu viajar com a família para conhecer o tal lugar.

Cotação na CVC R$ 12.000,00 para os 5, eu e minhas 4 mulheres. Neste valor nem pensar, decidimos que iríamos de carro.

Após estudar o mapa e os 25 dias disponíveis de minhas férias, tracei o percurso e carregamos o Logan, que tem um porta-malas gereroso. Barraca, fogão, liquinho mesa cadeiras, lona, laptop, colchonetes ... ... e a roupa da mulherada, mas fui taxativo: não quero saber daqueles tamancos gigantes. Fui sabotado, mesmo assim impressionante este porta malas!
Tracei o waypoint no GPS para o Camping Quinta da Barra em Teresópolis, nossa primeira parada. Desde Curitiba fizemos uma viagem tranqüila, exceto pelo trecho do Anel Rodoviário em Sampa: duas horas no engarrafamento. Ao chegar à Serra dos Órgãos, o dilúvio chegou conosco, espetáculo impressionante, belíssimo e assustador, não deu pra curtir muito o visual.
Foram 12 horas de viagem do Bacacheri em Curitiba até o camping em Teresópolis.
O camping é excelente, com piscina, sala de jogos etc., acabamos alugando um trailer com um super-avancê contendo sofás, geladeira e fogão a R$ 150,00 a diária.

Em Teresópolis não tem muito que se fazer, a serra é que é o canal. Restaurante à noite e no outro dia uma esticada até Petrópolis. Não é longe, mas é demorado, sobe e desce a montanha com uma curva atrás da outra. Passamos pela simpática Itaipava e em Petrópolis só deu tempo de ir ao Museu Imperial, com espaço separado para as carruagens e liteiras reais. No palácio tem de se colocar uma espécie de chinelão aveludado para não desgastar o piso. Tem uma réplica do 14 bis em uma praça e a casa do Santos Dumont é aberta a visitação. No geral a família deu nota 6 para a Petrópolis. Mas a serra é muito bonita com o famoso Dedo de Deus e outros visuais, então valeu a pena gastar um dia para conhecer a região.

No dia seguinte seguimos viagem para Alcobaça, já no sul da Bahia. O Google informou cerca de 11 horas de viagem, mas deu 15 horas. Muito tempo pra ficar em um carro, todo mundo ficou sacudo. Ficamos na pousada do Caju. Simples e barata, como queríamos. R$100,00 para os 5, todos em um quarto só, cama de casal beliche e colchão no chão. TV chinfrim e piscina razoável a uma quadra do mar e próximo a bons restaurantes. Nota 5 para Alcobaça.

Próxima parada: Trancoso. Após 6 horas chegamos ao famoso lugar. Antes de ver o mar fomos procurar onde ficar. As pousadas estavam com o preço acima de nossas intenções, assim alugamos um simpático segundo andar de um chalé de muito bom gosto a R$ 100,00 a diária. A praia é muito superior a de Alcobaça e com certa sofisticação, gostamos. À noite o canal é o quadrado, é onde as coisas acontecem. Jantamos no Silvana, excelente e preço justo. No outro dia fomos até Arraial d’Ajuda curtir a praia. Extremamente agradável e sofisticada também. Nota 9 para a região. Decidimos nem ir a Porto Seguro.

De Trancoso a Valença levamos 8 horas. Na chegada aparecem garotos de bicicleta que nos conduzem aos estacionamentos onde se deixa o carro pelo tempo em que se fica na ilha ao custo de R$20,00 por dia. O mesmo garoto coloca a “mudança” em um carrinho de mão e leva tudo até a barca. A travessia tem duas modalidades: lancha rápida ou escuna. Optamos pela lancha apesar do custo. Na chegada a Morro de São Paulo (lá apenas Morro) você entende o porquê do nome. Uma ladeira conduz do píer até a vila, mas lá também se encontram os rapazes com carrinhos de mão para levar a bagagem.

Como queria ficar na vila, já havia alugado casa de antemão. A proprietária, Regina atende no Café das Artes em Morro, mas o aluguel eu havia feito com a Paulinha da TripBrasil em Salvador, R$ 2.700,00 por 10 dias, casa de madeira com dois quartos, simples mas de bom gosto, com TV, DVD, ventiladores de teto e uma ótima varanda com rede.
O problema da hospedagem em Morro é que tudo é no morro, literalmente, ou seja, você tem escadarias gigantes para chegar às casas. Mas vale a pena, a vila é encantadora e as praias são belíssimas. Não deixe de subir ao Farol (mais morro), a vista é maravilhosa e pode descer de tirolesa até a primeira praia ao custo de R$ 25,00 por cabeça.
Morro de São Paulo tem um quê de Caribe, o mar é de um azul clarinho, que lembra o do Caribe e o cenário todo é muito bonito. As praias têm muitos recifes que formam piscinas naturais. Chega ao ponto de na maré baixa esquentar tanto a água que o banho se torna até inviável (no nosso caso a maré baixa estava próximo ao meio dia).
As praias em Morro são numeradas, 1ª, 2ª, 3ª e 4ª praias. Ficar na vila proporciona um acesso rápido às 3 primeiras, porém a 4ª já fica bem longe (não chegamos a ir na 4ª). A 2ª praia é a mais badalada tanto de dia como à noite, barzinhos e restaurantes que em determinados dias rodam 24 horas (dia de luau).
O clima no morro é de total relax com visitantes do mundo inteiro. É comum ficar rodeado de estrangeiros, norte-americanos, alemães, italianos, argentinos, japoneses etc. É uma babel, mas ao contrário da outra, todo mundo acaba se entendendo.
Opções de acesso podem ser: de carro e barco via Valença como fizemos ou a partir de Salvador por avião ou por catamarã (grande e fechado, aparentemente bem seguro)
No geral nota 9,5 para Morro, gostei, mas não volto, muito longe de Curitiba.

Próxima parada Taipus de Fora na península de Maraú, com acesso longo por estrada de terra, parte excelente e parte péssima. A recompensa? Praia com piscinas naturais muito bonitas, ficamos 4 dias em casa alugada R$ 150,00 por dia, casa linda com TV’s generosas de LCD, Sky e ar condicionado, uma verdadeira pechincha.
Taipus de fora morre com o pôr do sol, a opção noturna é a charmosa vila de Barra Grande, com certo agito, lojas e restaurantes simpáticos e agradáveis. Há uma pizzaria com centenas de cachaças, provamos só uma e já fiquei alegre!
O passeio de barco a partir de Barra Grande é bem agradável.
Nota 8 para a Península de Maraú.

A volta para Curitiba foi direta com parada para dormir próximo de Vitória - ES e em Resende - RJ, no excelente Cegil Hotel, próximo à supermercado, Mc Donald etc.

Viagem inesquecível, mas de carro, uma vez só!

O povo no poder!

Nós, brasileiros, adoramos esculachar com a classe política. Esquecemos que esta classe é constituída pelo povo.

- Como assim?
É claro, eles também são povo.
- Não, não são! Eles são outra coisa.
E são o quê? Argentinos? Norte americanos? Franceses? Representantes da ilha de Esbórnia?
Não. Eles são o retrato do povo brasileiro. Nós somos desonestos, quando pedimos uma nota mais alta para comprovação de custo, quando não devolvemos o troco a mais que nos foi dado por engano ou quando furamos fila.
Sempre que alguém encontra uma quantia considerável na rua e devolve ao dono (o que, me parece, é relativamente raro), o fato vira notícia, sai na imprensa ou em jornais da TV. Mas isso deveria ser o padrão e não fato digno de notícia.
- Ah, mas aí você está dizendo que só devemos publicar notícia ruim?
Não, não é isso! Notícia só merece ser notícia quando é fato extraordinário e está fora da normalidade. Ou seja, devolver dinheiro que não te pertence não é normal, pelo menos no Brasil.

Como exigir políticos honestos, quando somos desonestos sempre que surge a oportunidade?
Para mudar o congresso, temos de mudar como povo!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Caminhada matutina

Acordei assustado. A mulher já vestida para levar a filhota ao colégio e eu na dúvida, ruminei por uns 10 segundos: vou ou não caminhar com ela?
Me visto rápido, coisa de homem, que não sabe o que é maquiagem ou roupa combinando.
Em 4 minutos estou com a chave do carro descendo e a mulher se enrolando na cozinha.
No trajeto, garoa fina e a saudade da cama.
Deixamos a preciosa na escola e vamos caminhar na praça. Tem assistência para terceira idade e o pessoal da prefeitura todo atencioso com as velhinhas. Meia dúzia de esportistas somando tranquilamente quatrocentos anos ou mais.
Começamos a caminhada no ritmo da digníssima, que parece o de um taxista aloprado e já em 20 minutos estou suando e a perna doendo, mas não posso demonstrar fraqueza, afinal o macho é dominante, o sexo forte, o elemento que conduz.
Quando estou maquinando alguma desculpa para dar uma parada sem manchar minha honra, o velhinho, que deve ser uns 30 anos a mais de rodagem, e que começou a andar junto conosco, começa a correr. É o fim da picada, agora não posso parar mesmo! Começo a ter palpitação, a patroa olha desconfiada e eu disfarço, olhando as árvores e comentando sobre a beleza da santa no alto do campanário.
Mas quando é que isso vai acabar?
A danada cada vez mais determinada e eu contando as voltas para me distrair, a perna já começa a tremer descontrolada.
Quando finalmente ela diminui o ritmo, tenho medo de parar de repente e ter uma síncope. Vou parando aos poucos, disfarçando minha falta de ar, faço de conta que quero continuar, mas sem muita determinação. Vai que ela resolve fazer isso mesmo?
Agora vou ficar a semana inteira com as pernas duras e ela nem desconfia que podia ter ficado viúva. Na próxima vez fico dormindo. Homem não precisa de caminhada, isso é coisa de mulherzinha.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Stephen E. Ambrose:

Este autor deixou um legado de excelentes livros históricos, principalmente sobre a 2ª guerra mundial. O consagrado livro Band of Brothers foi posteriormente filmado para uma minissérie de televisão dividida em 10 episódios, co-produzida por Tom Hanks e Steven Spielberg. A minissérie foi lançada pela HBO e também pode ser encontrada em boas locadoras (5 DVD’s). A produção custou US$ 125 milhões e demorou 9 meses. É um trabalho magnífico, de sensibilidade absoluta em meio à Segunda Guerra Mundial. Trata da história da Companhia E (Easy Company) do 506º Regimento de Infantaria Pára-quedista do Exército Americano, 101ª Divisão Aerotransportada em sua campanha na Segunda Guerra Mundial.

OBS: Uma nova série dos produtores de Band of Brothers (Steven Spielberg e Tom Hanks), chamada O Pacífico, deve estar pronta em breve. A nova série será focada no Teatro de Operações do Pacífico. O projeto deve ser finalizado ainda este ano.

O dia D é um livro de mais de 700 páginas que junto com Soldados Cidadãos forma uma bilogia do autor, retratando a atuação dos aliados no teatro de guerra europeu. Não são livros sobre generais, são livros sobre gente comum, pessoas, soldados, que viveram experiências extremamente perturbadoras e intensas. Ambos são trabalhos de demorada pesquisa do autor e refletem as emoções dos envolvidos, pois os mesmos assumem a palavra ao longo dos livros e Stephen soube concatenar magistralmente estas experiências com o desenrolar dos fatos e a progressão do dia D até a queda da Alemanha.
É sem dúvida um dos melhores autores que trata da segunda guerra mundial. Imperdível para quem aprecia o assunto. Infelizmente Stephen era fumante e morreu de câncer de pulmão em 2002.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Blind Faith:

Eu gosto dos clássicos do rock, principalmente das grandes baladas, com longos solos de guitarra ou de outro instrumento qualquer, geralmente encontrados em discos gravados ao vivo. Obviamente que existem excelentes álbuns de estúdio também. Minhas preferidas são músicas com mais de oito minutos, chegando tranquilamente aos quinze, sem entediar em nada, muito pelo contrário. Um exemplo que me vem à cabeça é a música Double Trouble do Eric Clapton no álbum Just One Night de 1980, uma maravilha o álbum todo. E foi justamente pesquisando a longa discografia deste grande guitarrista que encontrei um trabalho pouco conhecido no Brasil, trata-se de um grupo formado pelo próprio Eric Clapton (vocais e guitarra), Ginger Baker (bateria), Steve Winwood (vocal e teclado) e Ric Grech (baixo e violão). O grupo só gravou um álbum em 1969, com o mesmo nome da banda: Blind Faith. Na capa do álbum uma adolescente de seios de fora segura uma nave espacial que mais parece um símbolo fálico, obviamente motivo de mitos e controvérsias na imprensa da época. Na versão para os EUA a capa foi proibida e aparece uma foto da banda. Posteriormente foi lançada uma versão estendida, sendo essa a minha preferida. Na primeira versão era apenas um bolachão, já na segunda, dois discos tendo 5 músicas com mais de 12 minutos cada uma, sendo que uma delas passa de 16 minutos. O resultado é fantástico e uma boa surpresa para quem não conhece, vale a pena conferir. Reza a lenda que o pessoal só queria se divertir tocando junto, porém o sucesso foi tanto que eles resolveram acabar com o grupo, pois a agenda da banda estava dando muito trabalho, é mole?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ensaio sobre a cegueira.

É sempre uma boa surpresa assistir um filme sem esperar grande coisa e encontrar uma narrativa interessante. Bom, qualquer coisa fora do padrão norte-americano comum, para mim, já merece um pouco de atenção. Outro dia vi o Ensaio sobre a cegueira, uma produção Brasil /Japão/Canadá em cima do livro do escritor português José Saramago, com trilha sonora do Uatki, grupo brasileiro que fabrica seus próprios instrumentos. O filme é notável pela proposta da história e a trilha sonora é simplesmente maravilhosa. Para quem gostou do já consagrado Oficina Instrumental de 81, se não me engano, vai adorar a trilha sonora do filme, principalmente a música Dança dos hexagramas.