sexta-feira, 11 de maio de 2012

Led Zeppelin:

Qual o segredo destes dinossauros do rock e qual a razão de gostarmos tanto da música deles?

Afinal as letras, salvo algumas exceções, não primam pela poesia, nem são tão originais assim (algumas são regravações de blues pré-históricos).
Fazendo um paralelo com a atração amorosa ou sexual, poderíamos dizer que é aquela química de que se fala tanto, mas isso seria uma simplificação, na verdade uma falta de explicação.
Tentando dissecar esta questão, posso dizer que um diferencial é a base. Esta é firme, decidida e imponente. O conjunto baixo / bateria se faz presente como em nenhuma outra banda, são destacadíssimos e isso remete ao nosso instinto primitivo, nos faz bater o pé na cadência da música e envolve nosso corpo todo nesse ritmo. Se isso já embriaga a alma, quando a guitarra se faz presente ela pode viajar em solos deliciosos, pois a base está lá segurando as pontas, enquanto Jimmy Page pode passear pelos acordes que lhe der na telha e criatividade nunca faltou ao rapaz. Coroando tudo, a voz potente de Robert Plant casa perfeitamente, fechando a conta.

Mas tem mais. O diferencial deste grupo está também na riqueza de ritmos que eles conseguem fazer. Certos grupos renomados fazem músicas, que acabam todas, ou quase todas, ficando mais ou menos com a mesma cara, como por exemplo, o U2 (posso ser apedrejado por isso! rs rs).

Além dessa diversidade de ritmos entre músicas, constantemente se ouve isso dentro de uma mesma música, o que me parece ser único deles. O resultado é incomparável.

Claro que nem tudo desse grupo é bom, eu não gosto do álbum Coda, por exemplo, mas os demais considero excelentes.
As décadas de 60 e 70 foram únicas na música. Acho pouco provável de termos em qualquer tempo futuro um período tão rico como este. Eles gravaram seus álbuns nesta época e influenciaram muita gente nesse período efervescente. Mesmo os grupos covers deles são bastante interessantes, como o Dread Zeppelin, mas o meu preferido, apresentado pelo meu grande amigo Fernando é formado só por mulheres, o Zepparella:



http://www.youtube.com/watch?v=xH-_9cwdLug


domingo, 29 de abril de 2012

O volante nos transforma.

Outro dia presenciei una cena que me fez refletir sobre nossas atitudes.
Um motociclista parou entre os carros, um pouco à frente, quando fechou o sinal. Ao abrir, o motociclista acelerou e o motor da moto engasgou e morreu. O motorista que estava no carro ao lado avançou esbarrando na perna do motociclista. Este olhou assustado e pediu paciência. Então o casal que estava dentro do carro desfiou uma sequência de ofensas e grosserias, que obviamente encontraram eco na contraparte.

Quando você vê de fora este tipo de situação, não diretamente envolvido, se percebe o absurdo da falta de educação. Qual a razão de nos sentirmos ofendidos por uma manobra alheia que nos atrasa ligeiramente? O que nos dá o direito de mandar um monte de impropérios em cima de outro cidadão?
Aparentemente no comando de um veículo, voltamos a nos sentir bárbaros e tudo parece uma ameaça, a coisa toda vira uma guerra! A carroceria do carro funciona como uma blindagem e nos sentimos no direito de impor nossa supremacia, seguros de não sofrer represálias.

O que houve com a gentileza, a cortesia e a boa educação?
Aparentemente quando entramos em algum veículo este tipo de coisa é deixada do lado de fora.

sábado, 28 de abril de 2012

Você já foi à Bahia (de carro)?

Era uma vez um rapaz que conheceu 5 meninas na Ilha do Mel... Elas, estudantes de medicina, estavam viajando pela costa brasileira, enquanto a universidade delas estava em greve. Como elas vieram do nordeste para o sul, perguntei qual o lugar mais bonito que elas conheceram. A resposta foi unânime: Morro de São Paulo na ilha de Tinharé - BA.
Passados mais de 20 anos finalmente o rapaz, agora não tão rapaz assim, resolveu viajar com a família para conhecer o tal lugar.

Cotação na CVC R$ 12.000,00 para os 5, eu e minhas 4 mulheres. Neste valor nem pensar, decidimos que iríamos de carro.

Após estudar o mapa e os 25 dias disponíveis de minhas férias, tracei o percurso e carregamos o Logan, que tem um porta-malas gereroso. Barraca, fogão, liquinho mesa cadeiras, lona, laptop, colchonetes ... ... e a roupa da mulherada, mas fui taxativo: não quero saber daqueles tamancos gigantes. Fui sabotado, mesmo assim impressionante este porta malas!
Tracei o waypoint no GPS para o Camping Quinta da Barra em Teresópolis, nossa primeira parada. Desde Curitiba fizemos uma viagem tranqüila, exceto pelo trecho do Anel Rodoviário em Sampa: duas horas no engarrafamento. Ao chegar à Serra dos Órgãos, o dilúvio chegou conosco, espetáculo impressionante, belíssimo e assustador, não deu pra curtir muito o visual.
Foram 12 horas de viagem do Bacacheri em Curitiba até o camping em Teresópolis.
O camping é excelente, com piscina, sala de jogos etc., acabamos alugando um trailer com um super-avancê contendo sofás, geladeira e fogão a R$ 150,00 a diária.

Em Teresópolis não tem muito que se fazer, a serra é que é o canal. Restaurante à noite e no outro dia uma esticada até Petrópolis. Não é longe, mas é demorado, sobe e desce a montanha com uma curva atrás da outra. Passamos pela simpática Itaipava e em Petrópolis só deu tempo de ir ao Museu Imperial, com espaço separado para as carruagens e liteiras reais. No palácio tem de se colocar uma espécie de chinelão aveludado para não desgastar o piso. Tem uma réplica do 14 bis em uma praça e a casa do Santos Dumont é aberta a visitação. No geral a família deu nota 6 para a Petrópolis. Mas a serra é muito bonita com o famoso Dedo de Deus e outros visuais, então valeu a pena gastar um dia para conhecer a região.

No dia seguinte seguimos viagem para Alcobaça, já no sul da Bahia. O Google informou cerca de 11 horas de viagem, mas deu 15 horas. Muito tempo pra ficar em um carro, todo mundo ficou sacudo. Ficamos na pousada do Caju. Simples e barata, como queríamos. R$100,00 para os 5, todos em um quarto só, cama de casal beliche e colchão no chão. TV chinfrim e piscina razoável a uma quadra do mar e próximo a bons restaurantes. Nota 5 para Alcobaça.

Próxima parada: Trancoso. Após 6 horas chegamos ao famoso lugar. Antes de ver o mar fomos procurar onde ficar. As pousadas estavam com o preço acima de nossas intenções, assim alugamos um simpático segundo andar de um chalé de muito bom gosto a R$ 100,00 a diária. A praia é muito superior a de Alcobaça e com certa sofisticação, gostamos. À noite o canal é o quadrado, é onde as coisas acontecem. Jantamos no Silvana, excelente e preço justo. No outro dia fomos até Arraial d’Ajuda curtir a praia. Extremamente agradável e sofisticada também. Nota 9 para a região. Decidimos nem ir a Porto Seguro.

De Trancoso a Valença levamos 8 horas. Na chegada aparecem garotos de bicicleta que nos conduzem aos estacionamentos onde se deixa o carro pelo tempo em que se fica na ilha ao custo de R$20,00 por dia. O mesmo garoto coloca a “mudança” em um carrinho de mão e leva tudo até a barca. A travessia tem duas modalidades: lancha rápida ou escuna. Optamos pela lancha apesar do custo. Na chegada a Morro de São Paulo (lá apenas Morro) você entende o porquê do nome. Uma ladeira conduz do píer até a vila, mas lá também se encontram os rapazes com carrinhos de mão para levar a bagagem.

Como queria ficar na vila, já havia alugado casa de antemão. A proprietária, Regina atende no Café das Artes em Morro, mas o aluguel eu havia feito com a Paulinha da TripBrasil em Salvador, R$ 2.700,00 por 10 dias, casa de madeira com dois quartos, simples mas de bom gosto, com TV, DVD, ventiladores de teto e uma ótima varanda com rede.
O problema da hospedagem em Morro é que tudo é no morro, literalmente, ou seja, você tem escadarias gigantes para chegar às casas. Mas vale a pena, a vila é encantadora e as praias são belíssimas. Não deixe de subir ao Farol (mais morro), a vista é maravilhosa e pode descer de tirolesa até a primeira praia ao custo de R$ 25,00 por cabeça.
Morro de São Paulo tem um quê de Caribe, o mar é de um azul clarinho, que lembra o do Caribe e o cenário todo é muito bonito. As praias têm muitos recifes que formam piscinas naturais. Chega ao ponto de na maré baixa esquentar tanto a água que o banho se torna até inviável (no nosso caso a maré baixa estava próximo ao meio dia).
As praias em Morro são numeradas, 1ª, 2ª, 3ª e 4ª praias. Ficar na vila proporciona um acesso rápido às 3 primeiras, porém a 4ª já fica bem longe (não chegamos a ir na 4ª). A 2ª praia é a mais badalada tanto de dia como à noite, barzinhos e restaurantes que em determinados dias rodam 24 horas (dia de luau).
O clima no morro é de total relax com visitantes do mundo inteiro. É comum ficar rodeado de estrangeiros, norte-americanos, alemães, italianos, argentinos, japoneses etc. É uma babel, mas ao contrário da outra, todo mundo acaba se entendendo.
Opções de acesso podem ser: de carro e barco via Valença como fizemos ou a partir de Salvador por avião ou por catamarã (grande e fechado, aparentemente bem seguro)
No geral nota 9,5 para Morro, gostei, mas não volto, muito longe de Curitiba.

Próxima parada Taipus de Fora na península de Maraú, com acesso longo por estrada de terra, parte excelente e parte péssima. A recompensa? Praia com piscinas naturais muito bonitas, ficamos 4 dias em casa alugada R$ 150,00 por dia, casa linda com TV’s generosas de LCD, Sky e ar condicionado, uma verdadeira pechincha.
Taipus de fora morre com o pôr do sol, a opção noturna é a charmosa vila de Barra Grande, com certo agito, lojas e restaurantes simpáticos e agradáveis. Há uma pizzaria com centenas de cachaças, provamos só uma e já fiquei alegre!
O passeio de barco a partir de Barra Grande é bem agradável.
Nota 8 para a Península de Maraú.

A volta para Curitiba foi direta com parada para dormir próximo de Vitória - ES e em Resende - RJ, no excelente Cegil Hotel, próximo à supermercado, Mc Donald etc.

Viagem inesquecível, mas de carro, uma vez só!

O povo no poder!

Nós, brasileiros, adoramos esculachar com a classe política. Esquecemos que esta classe é constituída pelo povo.

- Como assim?
É claro, eles também são povo.
- Não, não são! Eles são outra coisa.
E são o quê? Argentinos? Norte americanos? Franceses? Representantes da ilha de Esbórnia?
Não. Eles são o retrato do povo brasileiro. Nós somos desonestos, quando pedimos uma nota mais alta para comprovação de custo, quando não devolvemos o troco a mais que nos foi dado por engano ou quando furamos fila.
Sempre que alguém encontra uma quantia considerável na rua e devolve ao dono (o que, me parece, é relativamente raro), o fato vira notícia, sai na imprensa ou em jornais da TV. Mas isso deveria ser o padrão e não fato digno de notícia.
- Ah, mas aí você está dizendo que só devemos publicar notícia ruim?
Não, não é isso! Notícia só merece ser notícia quando é fato extraordinário e está fora da normalidade. Ou seja, devolver dinheiro que não te pertence não é normal, pelo menos no Brasil.

Como exigir políticos honestos, quando somos desonestos sempre que surge a oportunidade?
Para mudar o congresso, temos de mudar como povo!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Caminhada matutina

Acordei assustado. A mulher já vestida para levar a filhota ao colégio e eu na dúvida, ruminei por uns 10 segundos: vou ou não caminhar com ela?
Me visto rápido, coisa de homem, que não sabe o que é maquiagem ou roupa combinando.
Em 4 minutos estou com a chave do carro descendo e a mulher se enrolando na cozinha.
No trajeto, garoa fina e a saudade da cama.
Deixamos a preciosa na escola e vamos caminhar na praça. Tem assistência para terceira idade e o pessoal da prefeitura todo atencioso com as velhinhas. Meia dúzia de esportistas somando tranquilamente quatrocentos anos ou mais.
Começamos a caminhada no ritmo da digníssima, que parece o de um taxista aloprado e já em 20 minutos estou suando e a perna doendo, mas não posso demonstrar fraqueza, afinal o macho é dominante, o sexo forte, o elemento que conduz.
Quando estou maquinando alguma desculpa para dar uma parada sem manchar minha honra, o velhinho, que deve ser uns 30 anos a mais de rodagem, e que começou a andar junto conosco, começa a correr. É o fim da picada, agora não posso parar mesmo! Começo a ter palpitação, a patroa olha desconfiada e eu disfarço, olhando as árvores e comentando sobre a beleza da santa no alto do campanário.
Mas quando é que isso vai acabar?
A danada cada vez mais determinada e eu contando as voltas para me distrair, a perna já começa a tremer descontrolada.
Quando finalmente ela diminui o ritmo, tenho medo de parar de repente e ter uma síncope. Vou parando aos poucos, disfarçando minha falta de ar, faço de conta que quero continuar, mas sem muita determinação. Vai que ela resolve fazer isso mesmo?
Agora vou ficar a semana inteira com as pernas duras e ela nem desconfia que podia ter ficado viúva. Na próxima vez fico dormindo. Homem não precisa de caminhada, isso é coisa de mulherzinha.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Stephen E. Ambrose:

Este autor deixou um legado de excelentes livros históricos, principalmente sobre a 2ª guerra mundial. O consagrado livro Band of Brothers foi posteriormente filmado para uma minissérie de televisão dividida em 10 episódios, co-produzida por Tom Hanks e Steven Spielberg. A minissérie foi lançada pela HBO e também pode ser encontrada em boas locadoras (5 DVD’s). A produção custou US$ 125 milhões e demorou 9 meses. É um trabalho magnífico, de sensibilidade absoluta em meio à Segunda Guerra Mundial. Trata da história da Companhia E (Easy Company) do 506º Regimento de Infantaria Pára-quedista do Exército Americano, 101ª Divisão Aerotransportada em sua campanha na Segunda Guerra Mundial.

OBS: Uma nova série dos produtores de Band of Brothers (Steven Spielberg e Tom Hanks), chamada O Pacífico, deve estar pronta em breve. A nova série será focada no Teatro de Operações do Pacífico. O projeto deve ser finalizado ainda este ano.

O dia D é um livro de mais de 700 páginas que junto com Soldados Cidadãos forma uma bilogia do autor, retratando a atuação dos aliados no teatro de guerra europeu. Não são livros sobre generais, são livros sobre gente comum, pessoas, soldados, que viveram experiências extremamente perturbadoras e intensas. Ambos são trabalhos de demorada pesquisa do autor e refletem as emoções dos envolvidos, pois os mesmos assumem a palavra ao longo dos livros e Stephen soube concatenar magistralmente estas experiências com o desenrolar dos fatos e a progressão do dia D até a queda da Alemanha.
É sem dúvida um dos melhores autores que trata da segunda guerra mundial. Imperdível para quem aprecia o assunto. Infelizmente Stephen era fumante e morreu de câncer de pulmão em 2002.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Blind Faith:

Eu gosto dos clássicos do rock, principalmente das grandes baladas, com longos solos de guitarra ou de outro instrumento qualquer, geralmente encontrados em discos gravados ao vivo. Obviamente que existem excelentes álbuns de estúdio também. Minhas preferidas são músicas com mais de oito minutos, chegando tranquilamente aos quinze, sem entediar em nada, muito pelo contrário. Um exemplo que me vem à cabeça é a música Double Trouble do Eric Clapton no álbum Just One Night de 1980, uma maravilha o álbum todo. E foi justamente pesquisando a longa discografia deste grande guitarrista que encontrei um trabalho pouco conhecido no Brasil, trata-se de um grupo formado pelo próprio Eric Clapton (vocais e guitarra), Ginger Baker (bateria), Steve Winwood (vocal e teclado) e Ric Grech (baixo e violão). O grupo só gravou um álbum em 1969, com o mesmo nome da banda: Blind Faith. Na capa do álbum uma adolescente de seios de fora segura uma nave espacial que mais parece um símbolo fálico, obviamente motivo de mitos e controvérsias na imprensa da época. Na versão para os EUA a capa foi proibida e aparece uma foto da banda. Posteriormente foi lançada uma versão estendida, sendo essa a minha preferida. Na primeira versão era apenas um bolachão, já na segunda, dois discos tendo 5 músicas com mais de 12 minutos cada uma, sendo que uma delas passa de 16 minutos. O resultado é fantástico e uma boa surpresa para quem não conhece, vale a pena conferir. Reza a lenda que o pessoal só queria se divertir tocando junto, porém o sucesso foi tanto que eles resolveram acabar com o grupo, pois a agenda da banda estava dando muito trabalho, é mole?